• A TV brasileira e seu humor sem graça!


O humor sem sombra de dúvidas está no grupo das mais belas e difíceis formas de expressões artísticas que o ser humano possui. Por atraírem um grande público, algumas das principais emissoras de TV do país passaram a investir nesses últimos anos em programas com esse tipo de conteúdo.

Se tratando de atrações humorísticas, não há como negar que temos uma quantidade considerável delas à nossa disposição, uma pena que isso não seja sinônimo de qualidade, ou será que sou apenas eu quem diz não suportar mais o “Zorra Total” e a “Turma do DIDI”? Ambos já estão nas telinhas há algum tempo, o que, diga-se de passagem, chega a assustar pelo simples fato de que nem mesmo uma criança de 8 ou 10 anos de idade consegue encontrar alguma graça neles.


Dizem que Renato Aragão e Chico Anísio representam dois dos maiores humoristas que esse país já conheceu. Apesar de opiniões serem todos aceitáveis, ninguém é obrigado a concordar... É necessário que olhemos as coisas como elas realmente são, já se passou da hora deles se aposentarem, evitando dessa forma maiores constrangimentos tanto com seus públicos, quanto das novas gerações. Tenho de confessar que não conheço muito do trabalho do Chico Anísio pela minha pouca idade, mas se fosse para criticá-lo tendo em vista seus recentes trabalhos na TV, podem ter certeza que boas coisas não seriam ditas! O maior erro de boa parte dos artistas é não saber o momento certo de parar, se você encerra sua carreira enquanto está no auge, será lembrado por muito tempo, entretanto, se continuar a insistir e ficar prolongando o momento de “dizer adeus”, as chances de ser ridicularizado são imensas, como o que ocorreu com o Casseta e Planeta.

Outra atração que, sabe-se lá por qual motivo continua no ar mesmo depois de tanto tempo, é a chamada “A praça é Nossa”, um verdadeiro asilo humorístico, no qual, são feitas piadas mais ultrapassadas que vídeo cassete! O que chama bastante a atenção, é que o apresentador e “dono” do programa, o senhor Carlos Alberto de Nóbrega, contrata seus próprios familiares para se juntarem ao elenco da praça, não que isso seja errado, mas, para trabalhar em televisão, deve-se levar em conta a qualidade dos serviços que a pessoa tende a oferecer, não os laços familiares. Se tratando de um programa com a intenção de fazer humor, é uma atitude bastante arriscada, que pelo visto, como já era esperado, não tem dado resultado algum!


Com o objetivo de revolucionar o humor na TV brasileira, surge o programa “Legendários”, que na tentativa de fazer graça sem a utilização de ofensas e baixarias, acabou sendo uma grande decepção na visão daqueles que aguardavam ansiosamente a estréia desse novo projeto na carreira do comediante Marcos Mion e seus inseparáveis amigos, tais eles: João gordo com seu jeito polêmico de ser e Hermes com seu grande talento em fazer piadas de forma sarcástica. Visando colocar em prática o lema “rir com ele e não dele”, que é muito interessante por sinal, Mion e sua turma acabaram perdendo um pouco (ou todo) o respeito que adquiriram com muito esforço durante os tempos de MTV. O “Legendários” é um projeto bem atraente de se analisar, uma pena dizer que fracassou, mas é a pura verdade, sendo inclusive constante motivo de chacotas na internet.

Um dos maiores sucessos na programação televisiva de domingo, o “Pânico na TV” tem conseguido cada vez mais alavancar sua audiência em todo o território nacional. Apesar de ser o único que consegue me fazer dar boas risadas, o humorístico utiliza-se de recursos desnecessários para vencer a concorrência nessa interminável briga por Ibope. Recorrer ao uso de mulheres seminuas e vulgares para atrair os telespectadores, é uma estratégia que, querendo ou não, acaba tirando um pouco da credibilidade da atração, pois, por essa razão, imagina-se que uma grande parcela (se não a maior) do público do Pânico seja formada por homens, nos levando a crer que as pessoas do sexo masculino assistem ao programa somente por causa dessas mulheres “gostosas” e não por estarem em busca de entretenimento de qualidade. Outro fator que deveria ser mudado o mais rápido possível é a questão do linguajar utilizado pelos comediantes do pânico. Ofensas sérias e a utilizações de palavras do mais baixo escalão, acabam diminuindo seus pontos positivos, mas, pergunto-lhes, será que se fossem retiradas as belas mulheres e as piadas com duplo sentido, o programa conseguiria manter os bons índices de audiência? Imagina-se que não...

Uma ótima opção para quem está em busca de lazer na televisão é o “CQC”, que é exibido pela Band às segundas-feiras, porém, não é o que se recomenda para a maior parte da população brasileira, pois, o público alvo desse programa, apesar dos membros não assumirem isso, é formado por pessoas de bom nível intelectual, justificando o fato da atração, mesmo tendo resultados consideráveis, não conseguir atingir ainda todas as classes sociais, já que boa parte dos brasileiros não têm conhecimentos suficientes para entender algumas das piadas e críticas que são feitas por Marcelo Tás e companhia.

A Televisão brasileira carece de uma reformulação urgente e imediata, isso não vale somente aos programas humorísticos. É certo que nós, telespectadores, estamos contribuindo muito, para não dizer totalmente, com essa situação toda. As emissoras transmitem o que as pessoas querem ver, mesmo que isso implique em baixarias, banalização do sexo, linguajar impróprio, entre outras coisas. Sugerir através desse texto que criem uma nova forma de se fazer humor nas telinhas não teria utilidade alguma, está aí o “Legendários” e o próprio “É Tudo Improviso” como melhores exemplos para tal afirmação. Cabe a nós escolhermos o que assistir e ligar o sinal de alerta, pois aos poucos, os já escassos valores éticos e morais cuja sociedade brasileira possui, estão sendo denegridos pelo importante e ao mesmo tempo manipulador meio de comunicação que é a TV.

Critique Conosco

  • Criticado Por Anônimo
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    Adorei a crítica ao senso de humor Brasileiro.
    Concordo com todas as coisas que foram citadas.
    Principalmente com a do Pânico e CQC, sou fã de CQC eles tem um humor negro inexplicável e uma visão critica da realidade, contraiando pânico que é banalização das mulheres e do sexo e coretos. O que justifica tambem a maior audiencia no pânico do que no CQC é a própria sociedade brasileira.

  • Criticado Por Wesley
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    O blog está de parabéns! Ótimo texto! Humor brasileiro e qualidade ainda estão distantes...