• A adolescência e a revisão dos valores:


Há quem diga ser a adolescência a melhor fase pela qual passamos em nossas vidas. Esse período, marcado por descobertas afetivas e ideológicas, tem como base e espécie de “lei” a tal da “Liberdade”, que nesse caso, não está empregada apenas no sentido literal da palavra. Aí é que se encontra o problema, pois com o passar dos anos o direito e a necessidade de se ver “livre” estão ultrapassando cada vez mais os limites ditos normais.

Há poucos dias, mais precisamente na mesma data e horário da final do “BBB”, estava eu assistindo o excelente e recomendado programa da TV Bandeirantes: “A LIGA”, cujo tema abordado era o hábito de beber, e por vezes se embriagar ainda na adolescência. Confesso que algumas das imagens ali abordadas me causaram certo espanto, pois, mesmo já convivendo com isso pelo fato de ter 16 anos e possuir amigos que se enquadram nesse grupo, os números são alarmantes, principalmente pelo fato de que os jovens estão ingerindo bebidas alcoólicas e outros tipos de drogas durante boa parte, se não todos os dias da semana, ou seja, o que começou (de maneira errada) como algo cujo objetivo era se divertir em festas durante os fins de semana, já se tornou um vício, uma necessidade, portanto a noção de limite deixou de existir em tal caso.

Existe um argumento de que os jovens só se entregam ao mundo das drogas (bebidas, cigarros, entorpecentes, etc.) por influência direta dos pais. Não porque eles oferecem, mas só o fato de usarem esses mecanismos viciosos já desperta a curiosidade dos filhos que, na “ingenuidade” experimentam e acabam tomando gosto. Essa é de fato uma situação que por vezes ocorre, isso não há quem negue, mas então eu lhes pergunto: Quem é o imbecil nessa história? Os pais por não dizerem que aquilo é errado, ou os filhos por mesmo sabendo que não é correto sequer experimentar e mesmo assim correm o risco sob todas as possíveis consequencias?

Caia entre nós, é verdade que um pai que se embriague ou fume não quer de fato que seus filhos sigam seus passos? Claro que é verdade, entretanto, será que isso é o que de fato irá ocorrer? Óbvio que não! Veementemente não é dito que os filhos são nada mais do que o reflexo dos pais? Pois então, por qual razão nesse caso seria diferente? Se o exemplo não vier de casa, especialmente dos que já passaram por essa fase, dificilmente os adolescentes da família vão saber diferenciar certo de errado, ser feliz e estar iludido, e assim por diante...


Um assunto bastante delicado, mas que em hipótese alguma pode ser deixado de lado é o que envolve as questões sexuais, principalmente no que se diz respeito à descoberta dessa “nova arte”, pois por incrível que pareça, ter um filho aos 16, 15 ou mesmo 14 anos não é o pior de tudo, já que existem sérias doenças sexualmente transmissíveis que estão se alastrando de uma forma jamais vista... Está aí o carnaval para não me deixar mentir!

Por mais que o governo alerte sobre os riscos, ao menos nisso ele não deixa a desejar, o índice de adolescentes que estão abandonando os estudos para cuidar de seus filhos, ou mesmo para realização de tratamentos médicos em virtude das doenças adquiridas, está crescendo de uma forma desesperadora. Isso ocorre porque às vezes nos esquecemos de que toda causa tem sua conseqüência e que uma atitude tomada hoje pode simplesmente acabar ou comprometer com todo o seu futuro. Minhas palavras podem até soar de forma radical na visão de alguns, mas é justamente por esse pensamento de não enxergar as coisas a um longo prazo, é que já estamos em um estágio tão preocupante.


A perda de noção do que é “ser livre” e querer aproveitar as coisas como elas são hoje, sem pensar no amanhã, simplesmente “aproveitando o momento”, já nos mostraram que pode ser um erro grave, principalmente para aqueles que sonham em um dia ser alguém nessa vida.

Os jovens de nosso país merecem uma atenção redobrada, se é que estão tendo alguma, afinal eles representam simplesmente o nosso futuro, aí é que entram os pais com sua “função” de corrigir quando tiver que ser corrigido, alertar quando tiver de ser alertado, dar afeto quando realmente precisar de afeto e principalmente, estarem presentes.

Ser adolescente não é fácil. Como dito anteriormente, nessa fase tudo parece novo, a personalidade está sendo descoberta, assim como um novo mundo. Por mais que as coisas pareçam difíceis (e elas vão parecer) teremos sempre alguém com quem realmente possamos contar. Mas se você, jovem, não quiser se ajudar, independentemente da situação e não revisar seus valores e conceitos, podemos dizer que o futuro de nossa sociedade estará sim, vigorosamente prejudicado. Doa a quem doer, essa é a mais pura verdade.

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