• Educação, um direito nosso



Em se tratando de Brasil estão evidenciados, de forma explícita, boa parte dos problemas que há anos nos atormentam, sejam eles de ordem social, econômica, ambiental, racial, entre outros...

De todos esses citados, que por sinal não são poucos, temos um que merece certo destaque pelo fato de se tratar de algo imprescindível para nossas vidas. Me refiro ao fator educação escolar e a série de problemas pelos quais esse ambiente de vivência tão importante tem passado ao longo dos anos em diversas partes do mundo, não se restringindo somente ao nosso país, onde por sinal a situação é sim muito preocupante.

Na recente semana, o “Jornal Nacional”, exibido pela Rede Globo, retratou de maneira magistral as diversas situações- em sua maioria nem um pouco positivas- pelas quais o jovem brasileiro, frequentador da rede pública de ensino, tem de se submeter para ter direito ao estudo, algo que deveria ser colocado em primeiro lugar nas metas de melhoria traçadas pelo governo, pois, sem ele nem mesmo os políticos seriam “políticos”.

Alguns fatores abordados nas reportagens são dignos da mais pura indignação, como por exemplo, o fato da merenda escolar estar sendo servida estragada ou mesmo infestada de insetos, tais como, baratas e moscas.

Não tenho a informação de quando e nem onde esses alimentos foram comprados, e para ser sincero, nem é muito de meu interesse saber disso, a questão é que a pessoa – se é que merece ser nomeada assim – que os comprou não possui o mínimo de senso e racionalidade, afinal, muitos sabem que não são poucos os jovens que vão à escola mais até com o intuito de se alimentarem do que para o estudo propriamente dito. Tal fato faz parte da realidade brasileira há anos, ou vocês não se lembram de que apesar dos últimos progressos, vivemos em um país onde um número considerável da população vive abaixo da linha de pobreza?

Agora imaginem: uma criança ou jovem sai de sua casa faminto, já pensando na famosa “hora do recreio” para poder enfim se alimentar, até que, quando chega o momento esperado, se depara com uma barata em seu prato ou sente que a comida está estragada. O que será desse jovem em um futuro não muito distante? Provavelmente, caso isso ocorra por outras vezes, terá que abandonar os estudos para buscar outros meios de ter uma alimentação diária mínima, sendo um desses meios a prática de roubos... É uma situação muito triste, mas que também representa uma realidade muito próxima de nós.

Sintam-se livres para discordar de mim, mas pelo menos na cidade onde vivo o aluno que não tem condições de pagar uma escola particular, principalmente durante o ensino médio, dificilmente exercerá uma profissão bem remunerada daqui a alguns anos. Isso se deve a um método utilizado pelo governo que do ponto de vista político é ótimo, mas que para os aspectos sociais é algo extremamente ruim, algo muito bem mencionado pela reportagem do “Jornal Nacional”. Repararam que, por maiores que sejam as dificuldades dos alunos da rede pública, a maior parte é aprovada ao final do ano letivo? Esses casos vão de estar cursando o 9° ano do ensino fundamental e sequer saber ler ou realizar cálculos matemáticos simples, como adição e subtração.

O que não entra em minha cabeça é justamente isso, como pode ser possível um aluno que não sabe nem mesmo ler, ter chegado até essa fase escolar? Onde estavam os professores, a direção e os pais ou responsáveis desse jovem quando se precisava deles?
Pode ser que garantir a aprovação de um aluno, por maiores que sejam suas dificuldades e deficiências, represente hoje algum lucro ao governo, porém, e daqui a 10 ou 15 anos? Esqueceram-se de que o jovem do presente estará no mercado de trabalho no futuro? Devem ter se esquecido de que quanto pior a qualidade da mão de obra, maior serão as taxas de desemprego, o que significa menos arrecadação de impostos para o governo. Estão vendo como apenas um fator é suficiente para gerar uma reação em cadeia de prejuízos incalculáveis? Pois bem senhores políticos, fiquem atentos quanto a isso, já que são poucos os cidadãos que têm o “privilégio” de pagar uma escola privada utilizando-se do dinheiro público.

Outro fator o qual já merece nossa preocupação é o fato do número de professores estar diminuindo a uma velocidade relativamente alta, o que, diga-se de passagem é algo facilmente entendível, afinal sabemos que das profissões que exigem ensino superior, os professores são os piores em termos de remuneração. Sem contar que, quem é que gostaria de passar por um longo período de estudos para ser agredido dentro de uma sala de aula por um aluno que tirou uma nota baixa? Meu professor de Geografia, que por sinal é um exemplo a ser seguido, disse, não muito precisamente, que nos tempos atuais a cada 10 pessoas que se formam em uma faculdade, apenas uma objetiva se tornar docente, podendo tal número estar sujeito a redução nos próximos anos.

Estamos sendo levados a crer que somente quando não houver mais profissionais nessa área, que sem dúvida é a mais importante, é que o governo terá a decência de valorizar essa profissão como de fato ela merece ser valorizada.

Enquanto as escolas da rede pública não oferecerem a estrutura adequada para que os alunos tenham um aprendizado digno, ficará praticamente inviável cobrar melhores resultados dos nossos jovens. O governo precisa entender que QUANTIDADE nunca foi, e nunca será sinônimo de QUALIDADE. Ter um grande número de estudantes numa sala de aula não significa, em parte alguma, que todos estejam realmente aprendendo.

A educação é um direito nosso, há quem diga ser o mais importante, entretanto, se as autoridades políticas mantiverem tal descaso para com ela, e por consequência conosco, jamais caminharemos na direção certa rumo ao desenvolvimento. Não há dúvidas de que por esse, juntamente com outros fatores, o Brasil não deixará tão cedo de ser um país subdesenvolvido em sua essência e nos valores de sua sociedade.

Critique Conosco

  • Criticado Por Anônimo
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    ótimo, ótimo texto!

    Educação é tudo, pensa que nem todos pensam da mesma forma que voce...

  • Criticado Por Anônimo
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    Concordo

  • Criticado Por Anônimo
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    Concordo plenamente com o autor. Indubtavelmente o Brasil vem passando por uma situação caótica em relação a educação. Vista como base de qualquer ser humano, é através da esducação que há o conjunto de relações humanas, de fato. É inegável que como dito pelo professor, um caos leva outro caos,que vai virando uma bola de neve e é realmente. Hoje, nem mesmo os docentes de escola particular sao valorizados, imagina os de escola pública. Um profissional docente hoje, quer ser professor universitário, sem mais. Sou estudante de escola particular, e moro em uma cidade cujo escola pública ja foi boa, um processo seletivo foi destinado para os alunos de escola pública, apenas.. fico pensando, porque isso? de fato, sendo rico ou pobre, a mente humana nao deixa de ser aberta para o conhecimento. Nao discordo da atitude da universidade, mas... O governo, deixa explícito que só toma providências quando de fato ocorre o ''desastre'', nao lembram das enchentes no RJ? As sirenes foram colocadas depois de milhares de casas desabadas e pessoas mortas. Não vejo no momento solução para tal... se de fato nao há profissionais, empolgação e entusiasmo, nao adianta investimento em estrutura. O governo tem que se dar conta que O SALÁRIO pago ao educador, é uma vergonha BRASIL! @oithatasinha